O Abuso da Beleza – DANTO, ARTHUR C.

Não creio que seja um livro para iniciantes em filosofia da arte. O que me fez ler este livro foi a erudição em que Danto (autor) resume assuntos basilares sobre estética, crítica de arte e filosofia, embora eu não concorde com tudo o que ele diz. Danto apresenta a evolução do conceito da arte durante o último século e questiona seus limites.

Este livro me inspirou publicar o vídeo “Dadaísmo de Marcel Duchamp” que rendeu mais de 20.000 visualizações no youtube. São poucas, eu sei, mas, nada mal para um assunto (a meu ver) pouco popular.

Confira o vídeo: https://youtu.be/C1L79kmXq7w
Caso esteja no instagram, o link está na biografia.

Amar, verbo intransitivo – Mário de Andrade.

Logo de cara, chamou-me à atenção o título, já que não existe “Amar, verbo intransitivo”, pois quem ama, ama alguém.

O livro conta a estória de uma governanta contratada para cuidar de três crianças (duas meninas e um menino), porém ela vai exercer outra função: ensinar amor e sexo para o menino.

Trata-se de um livro polêmico. Na época era costume o pai contratar prostitutas para ter com os filhos homens.

Mario de Andrade usa o termo “idílio” que no sentido comum quer dizer “amor simples e puro” (tipo de amor platônico). Enfim, o livro aguça certa curiosidade, além de exibir a bela linguagem textual do autor.

A ética protestante e o espírito do capitalismo – Max Weber

O comportamento protestante (1864) levou a Max Weber produzir uma das obras mais questionadas do academicismo. Weber tentou encontrar uma explicação sociológica para o crescimento econômico voraz dos protestantes.

O espírito do capitalismo emergiu com os puritanos, pessoas simples que viam no trabalho um tipo de consagração divina. Enquanto os católicos e luteranos (não em sua maioria) faziam votos de pobreza e se distanciavam do trabalho braçal, estes se debruçavam por questões humanistas. Weber fez comparações contundentes entre os ensinamentos vocacionais protestantes e a educação católica medieval.

A revolução industrial, o iluminismo e alguns vestígios da reforma ajudaram a florescer tal comportamento tântrico. A prosperidade estava em qualquer trabalho licito, pois o ócio era o pecado.

Nesta obra, para compor suas ideias, Weber cita Benjamin Franklin (grande símbolo do capitalismo e do protestantismo) que costumava parafrasear Henry Ford com o jargão: “time is money”. Weber, subjetivamente, cita a filosofia de Franklin para justificar o total tempo de trabalho voltado ao divino. O que é refutável. Atualmente alguns calvinistas afirmam que Franklin era apenas um deísta e nada tinha a ver com o protestantismo puritano.

Weber transformou a doutrina da predestinação num fato social latente e qualitativo. Já que na época, para ser tido como um eleito era preciso trabalhar exaustivamente, o que transformava a prosperidade num símbolo de eleição; em outras palavras, algo que comprovava a salvação em Cristo.

Algumas idéias de Weber são questionáveis. Mas, convenhamos, num aspecto sociológico Weber tinha razão. Foi este tal “capitalismo tântrico” que fez com que muitos países ditos protestantes crescessem economicamente.

MÚSICA É MATEMÁTICA – O UNIVERSO EM PITÁGORAS

Vários estudos na matemática grega eram feitos para descobrir os enigmas do universo. Eram gastas energias acadêmicas intermináveis em busca de alguma prova. Mas foram de Pitágoras os primeiros argumentos a cogitar as leis universais com ajuda da música e da matemática.

Pitágoras descobriu a relação entre as notas musicais em certos intervalos matemáticos que podiam ser medidos num curto espaço de tempo. O mesmo declarou que as leis por traz desses cálculos seriam as mesmas que governavam os movimentos das estrelas e dos planetas.

Estudiosos medievais se agarraram nesta ideia e tentaram produzir um grupo de regras que resultou numa filosofia abrangente até os dias de hoje.

Os estudos pitagóricos sobre a música existem desde 1260. Os objetos científicos eram focados na física e na matemática.

As regras de Pitágoras inspiraram estudiosos a medir precisamente frações das notas musicais dentro de uma oitava. Eles descobriram que dois intervalos (a quarta e a quinta) produziam uma ressonância satisfatória, a mesma harmonia que a matemática de Pitágoras havia previsto.

Neste método, era usado o monocórdio (um dos primeiros instrumentos musicais). Os pitagóricos foram os únicos a fundamentar cientificamente a música começando a desenvolvê-la, o que tornou-os mais preocupados no assunto.

Há quem diga que ao passar frente uma oficina, Pitágoras percebeu que as batidas dos martelos produziam sons agradáveis aos ouvidos e se combinavam. Para pesquisar estes sons, Pitágoras teria esticado uma corda musical que produzia um determinado som que tornou como fundamental o tom. Pitágoras fez marcas na corda que a dividiam em doze secções iguais, este instrumento mais tarde seria chamado de monocórdio, o qual se assemelha a um violão, mas tem apenas uma corda.

Me perdoem, Infelizmente escrivi este texto há dez anos atrás e perdi a bibliográfia. Mas, por tudo que eu aprendi, são informações interessantes. Resolvi compartilhar.

Qual é a música mais difícil de tocar?

No piano, por exemplo, “Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro” se não é a mais difícil, está entre as mais difíceis do mundo.
Segundo especialistas, a versão do hino nacional composta pelo americano Louis Moreau Gottschalk, apesar de ser uma homenagem étnica, nacionalista e romântica, apenas três pianistas brasileiros conseguem tocá-la com perfeição. E, de fato, Eudóxia de Barros é um deles.
Tal peça ganhou popularidade ao ser utilizada pela Rede Globo na transmissão do cortejo fúnebre de Tancredo Neves (1985). Sua introdução também foi bastante usada por Leonel Brizola. Editada no final do século XIX pela Casa Levy.
Encontrei na internet está bela e clássica interpretação da própria Eudóxia de Barros – Gottschalk, “Hino Nacional”.

O Eterno Retorno do Mesmo

Na perspectiva cosmológica de Nietzsche, a situação que estamos vivendo agora já ocorreu infinitas vezes e voltará a ocorrer infinitas vezes mais. O mundo não tem um só estado, e sim infinitos estados. Tudo tende a se constituir por um número finito de forças, forças essas que geram diferentes combinações. O tempo é eterno, logo, não há como impedir que tais combinações (forças) não se repitam. Segundo Nietzsche, é impossível impedir que tudo não retorne ao mesmo.

QUEM SOMOS NÓS? | Friedrich Nietzsche por ScarlettMarton | A Casa do Saber. ADAPTAÇÃO, Carvalho. FGNDESIGNER.

UM POUCO SOBRE RUDOLF BULTMANN

Rudolf Bultmann nasceu em 1889 na Alemanha e foi um dos pais da teologia dialética (a arte da Argumentação).

Com ideias sobre o valor da liberdade individual, Bultmann baseou-se no Querigma (proclamação que nos revela o Cristo da fé) e no Pietismo de sua mãe, fazendo oposições às negligências da Teologia ortodoxa.

O Pietismo teve grande influência nas ideias de Bultmann, pois influenciou o surgimento dos movimentos religiosos independentes, tais como: o pentecostalismo, o neopentecostalismo e o carismatismo. O Pietismo compôs o Luteranismo na reforma protestante em 1517, assim como o Calvinismo e o Puritanismo, enfatizando a piedade do indivíduo em uma rigorosa vida cristã.

Bultmann também lutou contra o nazismo, suas ideias teológicas baseavam-se na fé e não somente na historicidade dos fatos. Bultmann era acima de tudo um antiliberalista. A segunda fase dos seus estudos teológicos está bastante ligada à ética cristã.

Marcella|Netflix

Confesso que poucas séries da Netflix me surpreenderam. Aliás, não escondo minha preferência pelas produções da HBO. Mas, sendo justo, DARK e HOUSE OF CARDS são séries que, a meu ver, são diferenciadas. Como já havia dito, HOUSE OF CARDS é uma série que não faz bem (ponto). Faz refletir sobre o sádico mundo de um piscopata político. E Dark? Dark é uma séries alemã cujo enredo é inspirado em Nietzsche, e não preciso dizer mais nada. Fato é que não são séries bonitas ou gostosas de se ver. Não possuem o dever de entreter. Longe disso! São o que são, quebras cabeças em roteiros.

Contudo, não obstante, fiquei surpreso com a série britânica Marcella. Super envolvente e enigmática. Trata-se da estória de uma investigadoras com sérios problemas psicológicos pelo fato de perder um filho e ser deixada pelo marido. Como se não bastasse, ela investiga um crime o qual ela mesmo pode ter cometido.

Na segundo temporada, Marcella continua com sérios problemas psicológicos, porém precisa investigar crimes de pedofilia. E, sinceramente? A série vai ficando pesadíssimas. É um suspense ala Michael Haneke (Funny Games). As cenas são perturbadoras, silenciosas – uma mistura de pouca iluminação e muito contraste.

Não cheguei ao final, mas tem sido uma experiência agradável. Para quem gosta de mistério e suspense com mulheres poderosas, eu recomendo!

Trem Das Onze (Cover) | Thiaggo Nascimento | Fgn Designer

Fala galera! Hoje o vídeo é diferente. Pois é, todo mundo sabe da minha paixão por designer, audiovisual e música. Semana passada gravei o músico e designer Thiaggo Nascimento (meu primo) improvisando uma bela versão de “Trem Das Onze”, clássico do samba paulista. Resolvi compartilhar.

Trata-se de uma gravação artística, o áudio ambiente é proposital. A ideia foi passar um som puro e não ilusório (sem plugins ou macetes) a fim de dar a sensação de estar realmente no local. Enfim, depois eu falarei mais sobre o projeto audiovisual Thiaggo e Fgn Designer. O Thiagginho toca muito! Segue o canal dele – https://youtu.be/iVc4UN5thg4

A música “Trem das Onze” foi composta em São Paulo pelo cantor, compositor, ator e humorista Adoniran Barbosa na década de 60 e faz referência ao bairro de Jaçanã, na zona norte da cidade. Música: Trem das Onze – Adoniran Barbosa Violão e Produção Musical/Design: Thiaggo Nascimento Edição e Filmagem: Fagner Carvalho (Fgn Designer)

Que atuação! Vocês viram o que eu vi?

Que atuação! Vocês viram o que eu vi? Se sim, vão saber do que eu estou falando (risos). Quero expressar minha surpresa com o filmaço polonês “Rede de Ódio” da Netflix. Em primeiro lugar, palmas para a perfeita atuação de Maciej Musiałowski. O filme basicamente conta estória de um jovem (Tomek) que plagiou o trabalho de conclusão de curso e foi expulso da faculdade de direito. Porém, ao decorrer da vida, Tomek desenvolve talentos virtuais obscuros tornando-se “hater” de uma perigosa agência de marketing político. A trama também gira em torno das polêmicas “fakes news”, assunto bastante pertinente no Brasil atualmente. O filme prende a atenção principalmente pela qualidade dos artistas. Não é uma super produção, porém renova a dobradinha entre o roteirista novato Mateusz Pacewiczmas e a direção do elogiadíssimo Jan Komasa (indicado ao Oscar de melhor filme internacional de 2020, Corpus Christ). O foco no olhar e toda expressão forte de dor, medo e ódio do protagonista, além do charme e o silêncio das cenas, são envolventes. Ouso dizer que, até o momento, pelas atuações e pela temática, é um dos melhores filmes do ano (digno de premiações). Trata-se de um suspense metódico de alta reflexão que vale toda a atenção. Um prato cheio para estudantes de marketing, gestão, comunicação e publicidade.