Netflix

DIÁLOGO ENTRE RILEY FLYNN E ERIN GREENE SOBRE A MORTE. MINISSÉRIE MISSA DA MEIA-NOITE. EPISODIO: 4 LAMENTAÇÕES.

Erin: Sobre o Céu, você não acredita em nada disso, né?

Riley: Não, mas eu entendo.

Riley: É atração, conforto. Tudo acontece por um motivo, tem bondade em todas as coisas, tem um plano, sei lá. Acho que eu vivi momentos que conseguiram apagar a existência de um Deus que ama dentro de mim.

Erin: E o que você acha? É tudo desilusão? Acha que sou ingênua por acreditar?

Riley: Não, eu não acho. Porém, todo mundo quer um motivo para tudo. Querem justiça. Procuramos por um conforto além da morte.

Erin: Sim, mas é daí que parte a religião. É está a questão. Então me responda, o que acontece quando morremos?

Riley: O que acontece? Eu não sei, e não confio em ninguém que diz que sabe. Mas posso falar por mim.

Erin: Então, fale por você, o que acontece quando morremos?

Riley: Quando eu morrer, obviamente, o meu corpo vai parar de funcionar.

O meu corpo se deliga, trata-se de uma morte clínica. Um pouco depois as células do cérebro começam a morrer. Enquanto isso, o meu cérebro libera uma porção de DNT, certo tipo de droga psicodélica produzida quando sonhamos. Então, vem o sonho, o maior de todos, um sonho que eu nunca tive antes, pois está é a última carga de DNT dentro de mim. Os meus neurônios disparam e eu vejo tudo como se fosse um lapso de memoria. Eu piro (risos), pois a minha mente está viajando pelas memorias de longo e curto prazo.

Os sonhos se misturam com as memorias enquanto uma cortina vai se fechando. Este é o sonho que fecha todos os outros sonhos. O último grande sonho, onde minha mente libera todos os misseis e tudo se acaba. A atividade cerebral para e não existe mais nada. Não existe dor e nem memória. Não existe nenhum sinal de mim, nenhum sinal de que já machuquei alguém. Tudo é como era antes.

A eletricidade dispersa do meu cérebro o que resulta em tecidos mortos, carne e esquecimento. Todas aquelas coisas que me formavam, micróbios, bactérias e bilhões de outras coisas que vivem nos meus cílios, nos meus cabelos, na minha boca, na minha pele, no meu estomago, no meu intestino e tudo mais, seguem vivendo e comendo. Assim, eu sirvo o meu propósito, alimentar a vida.

Enfim, agora estou separado e as minúsculas partes de mim foram recicladas. Eu estou em bilhões de outros lugares. Meus átomos estão em plantas, insetos e animais. Eu serei como as estrelas que estão no céu, que num momento estão lá, e no seguinte estão espalhadas pelo cosmos.

Riley: Sua vez. O que aconteceu quando você morre?

Erin: Falando de mim mesma?

Riley: Sim.

Erin: Não, falando de mim mesma não. Não foi eu que morri hoje.

Neste momento, Erin traz uma metáfora de como seria a vida da filha que acabou de perder.

Erin: Ela nunca acordou. Quando veio para este corpo, este corpo em formação, ela estava dormindo. Ela só conhecia os sonhos. Ela apenas sonhou e se quer teve um nome. Nesse sono, esse espírito perfeito, só se foi porque Deus não enviou para sofrer uma vida na terra. Deus só a colocou aqui para dormir. Só uma soneca. Um sonho rápido. Depois Ele a chamou de volta; ou melhor, Ele a quis de volta.

Então ela voltou. Do mesmo jeito que desceu ela se elevou por cima da terra. Passou pelas almas na atmosfera, pelas estrelas no céu e entrou numa luz brilhante. Pela primeira vez ela começou a acordar envolvida num sentimento de amor verdadeiro. É incrível! Claro que sim. Ela era pura, pois nunca pecou. Ela nunca machucou uma criatura, nem mesmo uma formiga. Mas ela não está sozinha, está em casa. Embora ela não saiba, a família dela está lá. O avô, o bisavô, eles a amam e a batizam. Quando Deus diz o nome dela, ela cresce num piscar de olhos. Ela é perfeita. O seu corpo é o reflexo do melhor dia da terra. Uma idade perfeita no auge dela.

Vão contar para ela sobre a mãe na terra e como eu vou subir em breve. Ela está feliz! Pura alegria por toda a eternidade. Ela é amada e não está sozinha. É isso que é o céu para mim. Não são mansões, nem rios e diamantes, nuvens de algodão ou asas de anjos, somos amados e não estamos sozinhos, isso é Deus. Este é o paraíso. Por isso, aguentamos tudo nesta grande e triste rocha azul. Eu vou para lá. Eu vou ver meu pai, minha vó e minha filha feliz e segura. Eu vou estar feliz em conhecê-los.

Riley: Eu espero que você esteja certa. 

Marcella|Netflix

Eu confesso que fiquei surpreso com a série britânica Marcella. Super envolvente. Trata-se da estória de uma investigadoras com sérios problemas psicológicos pelo fato de perder um filho e ser deixada pelo marido. Como se não bastasse, ela investiga um crime o qual ela mesmo pode ter cometido.

Na segundo temporada, Marcella continua com sérios problemas psicológicos, porém precisa investigar crimes de pedofilia. E, sinceramente? A série vai ficando pesadíssimas. É um suspense ala Michael Haneke (Funny Games). As cenas são perturbadoras, silenciosas – uma mistura de pouca iluminação e muito contraste.

Não cheguei ao final ainda, mas tem sido uma experiência agradável. Para quem gosta de mistério e suspense com mulheres empoderadas, eu recomendo!

Que atuação! Vocês viram o que eu vi?

Que atuação! Vocês viram o que eu vi? Se sim, vão saber do que eu estou falando (risos). Quero expressar minha surpresa com o filmaço polonês “Rede de Ódio” da Netflix. Em primeiro lugar, palmas para a perfeita atuação de Maciej Musiałowski. O filme basicamente conta estória de um jovem (Tomek) que plagiou o trabalho de conclusão de curso e foi expulso da faculdade de direito. Porém, ao decorrer da vida, Tomek desenvolve talentos virtuais obscuros tornando-se “hater” de uma perigosa agência de marketing político. A trama também gira em torno das polêmicas “fakes news”, assunto bastante pertinente no Brasil atualmente. O filme prende a atenção principalmente pela qualidade dos artistas. Não é uma super produção, porém renova a dobradinha entre o roteirista novato Mateusz Pacewiczmas e a direção do elogiadíssimo Jan Komasa (indicado ao Oscar de melhor filme internacional de 2020, Corpus Christ). O foco no olhar e toda expressão forte de dor, medo e ódio do protagonista, além do charme e o silêncio das cenas, são envolventes. Ouso dizer que, até o momento, pelas atuações e pela temática, é um dos melhores filmes do ano (digno de premiações). Trata-se de um suspense metódico de alta reflexão que vale toda a atenção. Um prato cheio para estudantes de marketing, gestão, comunicação e publicidade.