Critica

PHAVILLE, DO LADO DE DENTRO DO MUNDO ‧ Fagner Carvalho

Eu reservei um tempo para assistir o documentário ALPHAVILLE – DO LADO DE DENTRO DO MUNDO produzido pela cineasta Luiza Campos, gravado em 2009. Apesar de ser uma produção antiga, a fotografia se desenvolve no ambiente ermo e acinzentado do local, talvez propositalmente estigada na trilha silenciosa (triste) e na sensação rígida de solidão e ociosidade. ALPHAVILLE – DO LADO DE DENTRO DO MUNDO, nos traz a reflexão filosófica sobre o dilema de LIBERDADE e RIQUEZA, pondo em xeque a felicidade burguesa, perguntando: vale pena enriquecer e se abdicar do mundo?

O filme deixa fluir sutilmente questões desiguais, a cena simbólica onde do outro lado do muro existe uma favela reflete bem isso, apesar do roteiro se desenvolver na história de famílias ricas e amedrontadas que preferem viver longe das grandes metrópoles, longe dos “assaltos e sequestros”. Vale lembrar que existe um aumento considerável na construção de condôminos de luxo com alta vigilância (geralmente construídos no interior das cidades) e seguem como opção para quem se sente “inseguro”. Tais construções podem levar tanta a desigualdade ou ao crescimento econômico, dependendo do local. Obviamente, hoje em dia, a superproteção luxuosa (liberdade vigiada) não é uma exclusividade de ALPHAVILLE.

ALPHAVILLE é um documentário interessante (curto), mas não é um dos melhores. Nos faz pensar sobre o que é realmente liberdade, coisa que os grandes muros da indiferença não podem propor, já́ que “liberdade” não é sinônimo de segurança. O filme nos faz reavaliar como vivemos. O “medo do diferente” citado pela diretora que teve que morar por dois meses na cidade resume todo o resto: “prefiro voltar para minha perigosa São Paulo”. Talvez, em outras palavras, eu prefiro a minha “perigosa liberdade”.

Que atuação! Vocês viram o que eu vi?

Que atuação! Vocês viram o que eu vi? Se sim, vão saber do que eu estou falando (risos). Quero expressar minha surpresa com o filmaço polonês “Rede de Ódio” da Netflix. Em primeiro lugar, palmas para a perfeita atuação de Maciej Musiałowski. O filme basicamente conta estória de um jovem (Tomek) que plagiou o trabalho de conclusão de curso e foi expulso da faculdade de direito. Porém, ao decorrer da vida, Tomek desenvolve talentos virtuais obscuros tornando-se “hater” de uma perigosa agência de marketing político. A trama também gira em torno das polêmicas “fakes news”, assunto bastante pertinente no Brasil atualmente. O filme prende a atenção principalmente pela qualidade dos artistas. Não é uma super produção, porém renova a dobradinha entre o roteirista novato Mateusz Pacewiczmas e a direção do elogiadíssimo Jan Komasa (indicado ao Oscar de melhor filme internacional de 2020, Corpus Christ). O foco no olhar e toda expressão forte de dor, medo e ódio do protagonista, além do charme e o silêncio das cenas, são envolventes. Ouso dizer que, até o momento, pelas atuações e pela temática, é um dos melhores filmes do ano (digno de premiações). Trata-se de um suspense metódico de alta reflexão que vale toda a atenção. Um prato cheio para estudantes de marketing, gestão, comunicação e publicidade.