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Compreender: o verdadeiro ofício do historiador — uma reflexão a partir de Apologia da História de Marc Bloch

Permita-me compartilhar um trecho do livro Apologia da História, ou o Ofício do Historiador, de Marc Bloch.

Uma obra bastante hermética, mas, ao mesmo tempo, extremamente elucidativa sobre o que compete ao historiador do novo século: qual é o seu ofício e qual é a sua relação não apenas com os fatos, mas também com todas as questões sociais que envolvem as evidências históricas.

Para Bloch, tudo pode ser objeto da História. Até mesmo a ausência de fontes pode se tornar uma evidência para o historiador. Em outras palavras, até aquilo que aparentemente não é História pode, a partir do olhar do historiador, tornar-se História.

Enfim, compartilho com vocês um trecho do livro que particularmente me marcou, acompanhado da minha humilde interpretação sobre a passagem.

“Uma palavra, para resumir, domina e ilumina nossos estudos: “compreender”. Não digamos que o historiador é alheio às paixões; ao menos, ele tem esta. Palavra, não dissimulemos, carregada de dificuldades, mas também de esperanças. Palavra, sobretudo, carregada de benevolência. Até na ação, julgamos um pouco demais; é cômodo gritar “à forca!”. Jamais compreendemos o bastante. Quem difere de nós, estrangeiro, adversário político, passa, quase necessariamente, por um mau. Inclusive, para travar as inevitáveis lutas, um pouco mais de compreensão das almas seria necessário; com mais razão ainda para evitá-las, enquanto ainda há tempo. A história, com a condição de ela própria renunciar a seus falsos ares de arcanjo, deve nos ajudar a curar esse defeito. Ela é uma vasta experiência das variedades humanas, um longo encontro dos homens. A vida, como a ciência, tem tudo a ganhar se esse encontro for fraternal”.

BLOCH, Marc. Apologia da história, ou o ofício do historiador. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

Marc Bloch defende que a principal função da História é compreender os seres humanos. Para ele, essa é a palavra que orienta o trabalho do historiador: compreender.

Segundo o autor, compreender não significa concordar com tudo, nem abandonar as próprias convicções. Significa procurar entender os motivos, os sentimentos e as circunstâncias que levam as pessoas a agir de determinada maneira.
Nesse sentido, a História tem um papel importante: ao estudar diferentes povos, culturas e períodos, ela permite que conheçamos a grande diversidade da experiência humana. Esse conhecimento pode tornar as relações mais humanas e tolerantes.