O que deveria ser uma rede de proteção mútua para profissionais das artes, que muitas vezes sofrem com a instabilidade econômica, transformou-se em um foco de litígios e acusações de má gestão. Recentemente, a empresa comunicou aos artistas vinculados ao seu “fundo de Londres” a intenção de encerrar definitivamente as operações. A proposta de saída apresentada pelo APT aos participantes envolvia a assinatura de um acordo de rescisão onde apenas 70% das obras de arte seriam devolvidas aos artistas, enquanto os 30% restantes seriam retidos pela empresa sob a justificativa de cobrir custos de liquidação.
Essa proposta foi veementemente rejeitada por diversos artistas, que classificam a medida como uma “traição de proporções épicas”. Muitos dos envolvidos, incluindo vencedores do prestigiado Prêmio Turner, agora exigem a devolução integral de suas obras. A fundamentação jurídica desses artistas baseia-se na alegação de que o APT operou, na prática, como um esquema de investimento coletivo não regulamentado pelas autoridades financeiras britânicas, o que tornaria os contratos originais juridicamente inválidos e inexequíveis.
Em sua defesa, Guillermo Malm Green, advogado responsável pela liquidação do fundo, argumentou que o APT sempre agiu em conformidade com as normas regulatórias e que a estrutura operacional não se enquadrava tecnicamente na definição de um esquema de investimento coletivo. Além disso, o fundo defende que o processo de encerramento faz parte de uma estratégia global iniciada há dois anos. Entretanto, o cenário é agravado pela complexidade societária do APT, incluindo a dissolução de entidades associadas nas Ilhas Virgens Britânicas, o que levanta sérias dúvidas sobre quem, de fato, detém o controle da empresa e como as perdas financeiras serão (ou não) equacionadas.
Fonte
ARTNEWS. UK Artist Pension Trust shutters. Disponível em: https://www.artnews.com/art-news/news/uk-artist-pension-trust-shutters-morning-links-july-7-2026-1234791307/. Acesso em: 7 jul. 2026.
