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A Fotografia como Cúmplice e Testemunha do Armamento Nuclear

Fotograma de elin o'Hara slavick (com Madeline Richardson), “Holding History in Our Hand” (2024), vídeo (todas as fotos de Christopher Wormald, cortesia das Galerias de Arte do Pitzer College, salvo indicação em

A exposição Atomic Dragons, realizada nas Pitzer College Art Galleries, propõe uma leitura crítica sobre o legado do armamento nuclear ao articular dimensões políticas, históricas e humanas. A abordagem parte do olhar do coletivo feminista intergeracional SWANS (Slow War Against the Nuclear State), criado em 2022 a partir de um encontro idealizado pela artista Nancy Buchanan. Reunindo sete artistas e pesquisadoras, o grupo compartilha vínculos diretos com a era atômica, seja por laços familiares com a indústria bélica nuclear, seja por heranças ligadas ao ativismo antinuclear.

No desenvolvimento da mostra, destaca-se a investigação sobre o papel estratégico da fotografia na construção e nos testes da primeira bomba atômica, incluindo a participação de empresas como a Eastman Kodak. Em contraste com a documentação tradicional, obras experimentais, como as cianotipias e autorradiografias de elin o’Hara slavick, deslocam o foco da explosão para seus efeitos persistentes, revelando a presença prolongada da radiação. Outras integrantes do coletivo, como Sheila Pinkel e a própria Nancy Buchanan, exploram elementos simbólicos, como o cogumelo atômico, para problematizar o medo como motor da corrida armamentista e a construção imagética da Guerra Fria.

Um certificado oficial do Departamento de Guerra dos Estados Unidos aparece na última etapa. Ele reconhece a participação de um dos envolvidos na criação da bomba atômica. A data do bombardeio de Hiroshima, 6 de agosto de 1945, já está impressa. O documento conecta passado e presente em um diálogo que parece mais intenso do que nunca — o que provoca um forte impacto quando observado no contexto atual. A mostra torna-se ainda mais inquietante diante da retomada de discursos militaristas no mundo contemporâneo. O imperialismo e o risco nuclear voltam a se impor como temas urgentes para reflexão crítica.

Fonte

Villacis, Austen. (2026, 27 de março). How Photography Helped Build the Atomic Bomb. Hyperallergic. Disponível em: https://hyperallergic.com/how-photography-helped-build-the-atomic-bomb/