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Alodoxafobia: o medo invisível que pode travar uma geração inteira

Você sabe o que é alodoxafobia? Pois é, pode-se dizer que se trata de um medo intenso e constante da opinião das outras pessoas. Interessante, né? Você já sentiu esse sintoma? Infelizmente, esse é um problema bastante comum hoje em dia, quase geracional. Quem sofre com isso sofre só de pensar que pode ser criticado, até mesmo em situações comuns do dia a dia. Vale lembrar que não se trata daquele nervosismo normal; esse medo pode travar pessoas, atrapalhar amizades e influenciar escolhas equivocadas.

Hoje em dia, o uso exaustivo das redes sociais piora muito essa situação. Ficamos o tempo todo vendo comentários, curtidas e opiniões, o que faz com que a aprovação dos outros pareça a coisa mais importante do mundo. Segundo Bauman, vivemos em uma sociedade que dá peso excessivo ao que os outros pensam, e isso aumenta a sensação de insegurança e o medo de não ser aceito (Bauman, 2001).

Nesse contexto, surgem os chamados “haters” e o temido cancelamento online. Acredite se quiser, mas cancelar alguém é como atacar e excluir a pessoa publicamente, muitas vezes de forma brutal. Quem já tem dificuldade para lidar com críticas pode sofrer muito com esse tipo de situação.

As redes sociais também nos levam a nos comparar o tempo todo. Quando nos deparamos apenas com padrões irreais de beleza, sucesso e felicidade, começamos a questionar se somos bons o suficiente. Logicamente, isso acaba diminuindo a autoestima e aumentando a ansiedade, fazendo com que a opinião alheia defina quem a pessoa acredita ser (Twenge, 2019).

A psicóloga clínica Dra. Ana Lúcia Mendes, que atende casos de ansiedade social, explica que é possível adotar medidas práticas para reduzir o impacto desse medo. “Um primeiro passo é treinar uma ‘higiene digital’: definir horários fixos para usar as redes, desligar notificações e seguir perfis que tragam conteúdo positivo, em vez daqueles que só mostram vidas perfeitas”, sugere a profissional.

Ela também destaca a importância de trabalhar o diálogo interno. “Quando surge o medo de ser julgado, podemos nos fazer uma pergunta simples: ‘Que evidência real eu tenho de que isso vai acontecer?’. Muitas vezes, o julgamento que tememos é uma criação da nossa ansiedade. Anotar as situações que causam pavor e depois revisá-las com calma ajuda a enxergar que a maioria das críticas que prevemos nunca acontece”, completa Mendes.

Por tudo isso, é preciso entender esse medo no mundo digital. Encontrar um equilíbrio no uso da internet, trabalhar para se sentir mais seguro de si e cuidar das emoções são atitudes necessárias para que o medo do julgamento não controle a vida social e os sentimentos de ninguém.

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

SILVA, M. A.; RIBEIRO, P. C. Cultura do cancelamento e saúde mental na era digital. Revista de Psicologia Social, v. 18, n. 2, p. 45-60, 2021.

TWENGE, J. M. iGen: por que as crianças superconectadas de hoje estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes e completamente despreparadas para a vida adulta. São Paulo: Editora Évora, 2019.

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