Globalmente, entre 2023 e 2025, o mercado da arte atravessou uma retração considerável. O encerramento de galerias, o fechamento de museus e a diminuição do apetite comprador passaram a sinalizar certa desaceleração no consumo da arte, sobretudo nos segmentos mais sensíveis às oscilações conjunturais. Apesar do impacto negativo, esse momento teve um efeito moderador, como se estivéssemos aprendendo a nos virar com pouco. Algumas práticas aparentemente glamorosas, mas inúteis, perderam força, e uma lógica mais prudente e comercial começou a se impor. E isso é importante. Ao reduzir a dependência do entusiasmo imediato, abriu-se espaço para decisões mais refletidas e menos voláteis.
No fechamento de 2025 alguns indícios de retomada tornaram-se mais nítidos. Grandes leilões internacionais superaram expectativas iniciais, enquanto feiras de referência voltaram a apresentar resultados consistentes. Vale notar que as principais casas de leilão, tradicionalmente bons termômetros do setor, registraram crescimento de receita após um período prolongado de instabilidade. Esses sinais, embora ainda pontuais, sugerem uma mudança gradual de ciclo, construída com cautela após anos particularmente desafiadores.
Já para 2026, o horizonte que se desenha é menos de expansão acelerada e mais de reorganização estrutural. O foco desloca-se para a consolidação: sustentabilidade financeira, estratégias culturais de longo prazo e a incorporação de formatos digitais e híbridos passam a ocupar um papel central. Também aqui o ritmo importa. Em vez de crescimento impulsivo, o desafio consiste, essencialmente, em estabelecer um equilíbrio duradouro entre valor cultural e viabilidade econômica, algo que, como se sabe, exige tempo, consistência e escolhas bem calibradas.
Referência
BROWN, Kate. Where Art Insiders Are Placing Their Bets in 2026. Artnet News, 8 jan. 2026. Entrevista com Marc Spiegler.
