A matéria do portal Hyperallergic analisa de forma crítica a escolha visual da revista TIME para a sua edição de Pessoa do Ano de 2025, que homenageou os chamados Arquitetos da IA. O ponto central da discussão é a ilustração da capa, que faz uma releitura de uma das fotografias mais famosas da história, aquela que mostra operários da construção civil sentados em uma viga de aço no topo de um arranha-céu em Nova York, nos anos 30. No lugar dos trabalhadores que ergueram a cidade, a revista colocou figuras bilionárias da tecnologia, como Elon Musk, Sam Altman e Mark Zuckerberg.

A autora do texto, Rhea Nayyar, argumenta que essa substituição é simbólica e gera um contraste desconfortável. Enquanto a foto original de 1932 representava o trabalho braçal, o risco real e a classe operária que construiu o mundo moderno durante a Grande Depressão, a nova versão celebra indivíduos que detêm um poder econômico imenso e cujas inovações em inteligência artificial são vistas por muitos como uma ameaça aos empregos humanos. O artigo sugere que usar a estética do trabalho manual para exaltar magnatas da tecnologia é uma escolha insensível e contraditória.
Além disso, a crítica descreve como os líderes da tecnologia foram retratados de forma fria, segurando laptops e celulares, o que reforça a distância entre a elite do Vale do Silício e a realidade do trabalho físico. A matéria conclui que a capa gerou uma reação negativa imediata do público, pois reflete uma tendência de glorificar o poder corporativo em detrimento da valorização das pessoas comuns. No entendimento do texto, a imagem acaba servindo como um lembrete visual da desigualdade e da desconexão entre os criadores das novas tecnologias e a base da sociedade que será impactada por elas.
NAYYAR, Rhea. TIME’s Person of the Year swaps construction workers for tech billionaires. Hyperallergic, 2024. Disponível em: https://hyperallergic.com/times-person-of-the-year-swaps-construction-workers-for-tech-billionaires/. Acesso em: 4 jan. 2026.
