O Muzeum Susch, localizado nos Alpes Suíços, tornou-se o palco de uma necessária redescoberta: a obra da croata Edita Schubert. Através da exibição intitulada “Profusion”, o público tem a chance de conhecer uma trajetória que, apesar de brilhante, acabou ficando restrita aos limites dos Balcãs por décadas. O que se vê no museu não é apenas uma coleção de quadros, mas o registro de uma mente que se recusava a fincar raízes em um único estilo, preferindo a metamorfose constante entre o desenho, a fotografia e a montagem de objetos.
A formação acadêmica de Schubert em Zagreb aconteceu sob a sombra de gigantes da performance, porém seu interesse seguiu por trilhas mais analíticas. Para ela, criar não era um ato puramente estético, mas uma espécie de investigação biológica sobre as formas. Essa curiosidade quase científica permitiu que ela saltasse do minimalismo para o expressionismo sem perder a coerência interna. Em vez de se repetir para criar uma “marca registrada”, ela escolheu a liberdade de ser múltipla, o que explica por que sua produção parece tão atual e difícil de rotular mesmo anos após sua morte.
Um dos momentos de maior ruptura em sua carreira ocorreu quando o suporte tradicional da pintura deixou de ser suficiente. Schubert via a tela não como um destino, mas como uma barreira que precisava ser rompida, muitas vezes trocando o toque suave das cerdas pela agressividade de lâminas para “abrir” novas dimensões no trabalho. Essa ousadia a levou a representar seu país em grandes palcos globais, como Veneza, onde demonstrou que a arte poderia ser um campo de experimentação pura, desvinculada de expectativas comerciais ou tendências passageiras da época.
Nos anos finais, a produção da artista ganhou camadas de introspecção ainda mais profundas, fundindo o fazer artístico com sua própria luta contra o câncer. Em instalações que utilizavam recipientes laboratoriais e imagens fragmentadas de si mesma, ela transformou a finitude do corpo em uma última fronteira de exploração visual. O encerramento dessa mostra suíça deixa claro que Schubert não foi apenas uma pintora de seu tempo, mas uma arquiteta de conceitos que antecipou muito do que se discute hoje sobre a fluidez entre diferentes linguagens criativas.




