O duo Angine de Poitrine, em português “aperto no peito” ou “angina de peito”, surgiu de repente no cenário do rock e tem feito sucesso por seu jeito peculiar. Com uma sonoridade que transita entre o math rock (rock matemático) e o rock experimental, eles utilizam compassos assimétricos (ou ímpares). Em vez de contar o ritmo de forma previsível em “1, 2, 3, 4” (como na maioria das músicas pop e rock), o duo trabalha com fórmulas de compasso complexas (como 5/4, 7/8 e 11/8) e promove mudanças abruptas de andamento. Isso cria a sensação de um ritmo “quebrado” ou irregular. Além disso, fazem uso de música microtonal, que divide as notas em intervalos ainda menores (como os quartos de tom), utilizando instrumentos com trastes fora da afinação tradicional. Como resultado, a melodia pode soar propositalmente ‘desafinada’.”
A Estética Dadaísta e o Anonimato
Para além da complexidade sonora, o que torna o Angine de Poitrine verdadeiramente hipnótico é a sua apresentação visual e teatral. Formado pelos músicos conhecidos apenas sob os pseudônimos Khn de Poitrine e Klek de Poitrine, o duo canadense, originário da região de Chicoutimi / Saguenay, no Quebec, adotou o anonimato absoluto.
Eles sobem ao palco vestindo roupas pretas e brancas com estampas extravagantes e escondem totalmente seus rostos por trás de gigantescas máscaras de papel machê, assumindo personas quase alienígenas. O conceito visual é fortemente influenciado pelo dadaísmo (movimento focado no absurdo e no ilógico). Durante os shows, os membros não pronunciam uma única palavra ao microfone, comunicando-se com o público e entre si apenas através de acenos e misteriosos sinais de mão.
O Instrumento “Frankenstein”
A execução dessa sonoridade única ao vivo exige uma engenharia à parte. Khn de Poitrine toca um instrumento construído sob medida por um luthier de Saguenay, em um projeto detalhista que consumiu mais de 150 horas de trabalho.
Trata-se de um instrumento monstruoso de braço duplo que condensa o caos sonoro do duo:
Estrutura Dupla: A parte superior funciona como uma guitarra microtonal, enquanto a inferior é um baixo microtonal.
Marcadores Brilhantes: Devido à visão severamente limitada pelo uso das máscaras gigantes, o braço do instrumento possui marcações grandes e fosforescentes nas laterais. Sem isso, seria impossível para Khn acertar as notas “quebradas” no escuro do palco.
Ao vivo, a mágica acontece com uma coordenação impressionante. Khn utiliza loop stations para gravar e sobrepor camadas de baixo, guitarra e sintetizadores em tempo real (on the fly), enquanto Klek mantém o andamento pulsante, e de cair o queixo, na bateria.
O Fenômeno Viral de 2026
Embora o Angine de Poitrine tenha lançado seu primeiro álbum de forma independente em meados de 2024 (Vol. 1), foi apenas no início de 2026 que o mundo acordou para o fenômeno.
O ponto de virada foi uma apresentação ao vivo frenética gravada para a famosa rádio independente de Seattle, a KEXP, em fevereiro de 2026. O vídeo viralizou rapidamente e o que era um projeto extremamente nichado invadiu o interesse do grande público. Fãs de rock, curiosos e músicos ficaram maravilhados ao ver que, apesar de a música ser uma matemática complexa, o duo a executa com um groove incrivelmente dançante, enérgico e acessível.
Esse estouro na internet fez com que os shows de sua turnê americana e europeia esgotassem em minutos, pavimentando o sucesso de faixas como “Fabienk” e “Mata Zyklek”, e consolidando o lançamento do aguardado álbum Vol. II em abril de 2026.
