Ben Davis, figura de peso na crítica da Artnet News, volta seu olhar para os rumos da produção cultural em um novo ensaio. Seu texto, que recebe o título de “Cultural Trends I’m Watching at the Beginning of 2026”, propõe um mapeamento instigante do que está por vir.

Reconhecido no meio, Davis não se limita a avaliar questões formais; sua lente crítica tradicionalmente amplia o foco para os contextos sociais, políticos e financeiros que moldam a criação artística. Essa perspectiva multidisciplinar, aliás, já estava consolidada em trabalhos anteriores, como a obra 9.5 Theses on Art and Class.
No início de 2026, o cenário artístico global não apresenta um “estilo único”, mas sim uma série de respostas complexas às tensões tecnológicas e políticas dos últimos anos. Segundo o crítico Ben Davis, estamos a viver um momento de fragmentação, onde o desejo pelo passado e a ansiedade pelo futuro coexistem.
O Estilo Caótico e o “Brainrot”
Davis observa que a nossa cultura visual está saturada pelo que ele chama de “estilo caótico”. Influenciada pela estética da internet e por fenómenos como o brainrot (conteúdos digitais hiperestimulantes e abstratos), a arte começa a mimetizar a sobrecarga sensorial das redes sociais. Não se trata apenas de beleza, mas de capturar a sensação de “excesso” de informação.
A Resposta ao Artificial: O “Jolie-laide” e o Humano
Com o domínio das imagens geradas por Inteligência Artificial, que tendem para uma perfeição genérica e “plastificada”, surge uma forte contratendência. Davis aponta para o crescimento da figuração jolie-laide (belo-feio). Os artistas estão a focar-se em corpos com imperfeições, rugas e tiques, numa tentativa de reafirmar o que é essencialmente humano e irreplicável pelos algoritmos.
O Ressurgimento do Craft (Artesanato) como Resistência
A valorização de têxteis, cerâmicas e cestaria continua a crescer. Para o autor, esta não é apenas uma tendência decorativa, mas uma forma de “abrir a abertura” da história da arte para incluir vozes e técnicas historicamente marginalizadas. O foco no fazer manual funciona como um antídoto à imaterialidade do mundo digital.
O “Asia-Futurismo” e Novas Geopolíticas
Davis sugere o retorno de conceitos como o “Asia-Futurismo”. Num contexto de declínio da hegemonia cultural americana e de avanço tecnológico no Oriente, museus e curadores estão a olhar para o futuro através de uma lente não ocidental, explorando como a tecnologia e a tradição se fundem em novas narrativas visuais.
Conclusão
Em suma, o olhar de Ben Davis para 2026 revela uma arte que tenta desesperadamente encontrar o seu lugar num mundo dominado pela IA e por crises políticas. A tendência principal não é um formato, mas sim a busca pela autenticidade, seja através do “caos” digital ou do regresso tátil à matéria.
Referência
Referência Direta: DAVIS, Ben. Cultural Trends I’m Watching at the Beginning of 2026. Artnet News, 20 jan. 2026. Disponível em: https://news.artnet.com/art-world/art-trends-2026-2738010. Acesso em: 23 jan. 2026.
- Citação direta: “De acordo com Davis (2026), vivemos um momento de ‘estilo caótico’ onde a arte reflete a sobrecarga da internet.”
- Citação indireta: O crítico Ben Davis (2026) argumenta que a valorização do artesanato na arte contemporânea serve como uma resposta política à exclusão histórica de certas comunidades.
